
A garota contorcia-se discretamente, tentando ignorar a raiva que era bem visível em sua face. Os olhos foram fechados e a respiração começou a ficar descontrolada, meio ofegante. Mordeu o próprio lábio inferior, impossibilitando um sorriso, que já não era visto em sua face desde há alguns minutos atrás. Suspirou e sentiu a raiva tomar conta de si. Nem mesmo os “ Deixe pra lá ” eram escutados, não mais. Os punhos foram de encontro ao peitoral do loiro, enquanto a mesma dava socos e mais socos, naquela seqüência repetitiva e incansável pelo que parecia. ― O que você quer de mim? ― ela berrava, enquanto dava socos sobre o peitoral do garoto, repetidas e repetidas vezes. As lagrimas caiam por toda sua face, deixando-a meio avermelhada devido ao choro e os soluços vinham de vez em quando, irritando-a brevemente. As pessoas que lá estavam, se cansando daquilo que acontecia anos após anos, deixaram os dois sozinhos, não havia nada de interessante ou novo ali. ― Porque não pode simplesmente me deixar em paz...? ― ela perguntou num tom fraco, segurando-se para não chorar mais, o que fora meio impossível. As lagrimas escorreram por sua face e foram retiradas pelo garoto, que delicadamente passava o dedo sobre cada uma delas. Ele a puxou para si, fazendo-a deitar a cabeça sobre seu peitoral e a envolvera em um abraço acolhedor. ― Eu não agüento mais isso... O que você quer? Diga-me... ― ela praticamente implorou, da forma como havia falado. Tão fraco, baixo, tão... Frágil. Era assim que a castanha estava... Frágil. Como uma flor. Ela não estava mais agüentando tudo aquilo. Ainda, com os olhos marejados, deixou com que uma lagrima escapasse, apenas uma e o louro a fitou com um aperto no coração. ― Eu quero que você pare de uma vez por todas com essa arte de socar... ― ele respondeu, afastando a cabeça dela de seu peitoral e enxugou a lagrima que havia rolado sobre sua face, dando-lhe um sorriso e não tardou em continuar a frase. ― ...E quero você. ― ele completou, levando a face até a dela, encostando a testa sobre a dela, aproveitando a proximidade e ao vê-la abrir a boca na tentativa de falar algo, levou o dedo até os lábios da mesma e calou-a, sorrindo com o próprio ato. Teimosa, cabeça dura e forte, era isso que ela era. Além de outras mais qualidades... Era incrível como nunca via um defeito naquela figura de cabelos castanhos espessos e olhos tão incrivelmente bonitos como todo o resto de seu corpo e os detalhes de sua face. Aos poucos, os lábios do louro vieram até os dela, roçando levemente, como se pedisse permissão e a castanha lhe deu esta, entreabrindo os lábios, permitindo que a língua do garoto penetrasse por cada extremidade de sua boca. Ela finalmente sentiu aquele gosto, aquela temperatura. E ele finalmente soube que aquilo era real... Não apenas um sonho. Ele podia tocá-la, podia senti-la. O beijo era urgente, quente e envolvente. Salgado pelo sabor das lágrimas que escorriam pela face da castanha... Lágrimas de felicidade. E apartir dali nada mais seria o mesmo, sabia disso. Após alguns minutos aproveitando aquele beijo, findaram o mesmo com selinhos, dando estalos bem audíveis e ele aproximou os lábios da testa da castanha, dando um beijo de leve sobre o local. ― Porque demorou tanto? ― ela perguntou, esbanjando um sorriso torto e corando por dizer tal coisa para o garoto. ― Me desculpe... ― ele disse apenas e ela sabia o quão difícil era pra ele, mas sabia também que ele se arrependera de tudo. Exatamente tudo. Podia ver naqueles olhos tão profundos e intensos. Finalmente o castanho encontrou os olhos azuis-acinzentados de forma que nunca havia encontrado antes. Ela podia ver fragilidade por de trás daquela face magra e bonita. Sorriu consigo mesma enquanto aproveitava toda aquela proximidade. ― Como será o amanhã...? ― ela perguntou meio que por impulso, mesmo que no fundo não quisesse saber. Recusava-se, a saber, que tudo voltaria a ser ruim como antes. ― Não importa... ― ele disse, com aquele sorriso que a fazia derreter e não tardou em terminar a frase. ― O que tiver de ser, será, minha leoa. ― ele findou as palavras e ela envolveu os braços em torno de seu pescoço, puxando-o para si. ― Então deixemos rolar, minha serpente... ― ela murmurou por fim, levando os lábios entreabertos novamente até os dele e iniciando outro beijo tão intenso quanto o outro. Finalmente não era mais Malfoy e Granger. Ou a Grifinória sangue-ruim amiga do Potter e o Sonserino sangue-puro filhinho de papai mimado e preconceituoso. Finalmente eram apenas Draco e Hermione, como tinha de ser.
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